PT se renova e reaviva bandeiras históricas

O Partido dos Trabalhadores realizou nos dias 2, 3 e 4 de setembro o seu 4º Congresso, em etapa extraordinária, quando aprovou resoluções que podem mudar significativamente a composição partidária no futuro, como a paridade de gênero e o mínimo de 20% de jovens em suas direções, e resgatam algumas de suas bandeiras históricas. Sobre esse momento do partido, Teoria e Debate conversou com o seu presidente nacional, Rui Falcão

Congresso põe o PT na agenda da sociedade e convoca a militância a participar da

Congresso põe o PT na agenda da sociedade e convoca a militância a participar da vida partidária

Foto: Mario Agra/PT

Além de uma moção em que apresenta um compromisso com uma agenda estratégica para as comunicações, a resolução enfatiza a defesa do marco regulatório para democratizar a mídia no país. Qual deve ser a atuação partidária nesse sentido?

 

Criamos um grupo de comunicação ligado à presidência do partido que, a partir dos documentos aprovados, poderá ter um calendário de debates, cartilha, incluindo a discussão sobre o marco regulatório que está sendo finalizado e deve ser submetido à consulta pública e apresentado ao Congresso Nacional até o fim do ano. Na área de comunicação, essa é nossa agenda, além de estimular os blogueiros independentes, os militantes que querem construir núcleos do PT em atividades virtuais. Por exemplo, no Nordeste, há os Guerrilheiros Virtuais. Queremos valorizar essas novas formas de comunicação, que reúnem a juventude e formam uma rede de comunicação social, com sindicatos, a Brasil Atual, o Intervozes, enfim, vários grupos que lutam pela democratização da mídia e podem participar dessa campanha pela democratização da comunicação no país.

 

Há algum sentido na afirmação de que o congresso seria a tentativa do PT de privilegiar menos a luta institucional com os partidos aliados para ganhar a opinião pública para suas bandeiras?

 

Eu diria que o PT apoia o governo, participa do governo, tem uma agenda comum com o governo mas tem também uma agenda voltada para a sociedade. Não é uma coisa ou a outra, são duas formas de luta e participação. Em um momento anterior, talvez, o PT estivesse voltado mais para a agenda governamental. Continuaremos com o mesmo peso na sustentação ao governo, participando de seus projetos, ajudando a encaminhá-los, mas também queremos ter nossas próprias bandeiras e um diálogo direto com a opinião pública.

 

As alterações estatutárias aprovadas no partido têm consequências internas, mas no que elas podem influenciar na relação do PT com a sociedade?

 

Estamos com uma campanha em defesa da reforma política e eleitoral no Brasil. A despeito de serem ou não aprovadas medidas que consideramos corretas para o funcionamento do parlamento, estamos mostrando para a sociedade como achamos que deve ser a relação dos partidos com seus filiados. Fizemos isso ao criar a cota de 30% de mulheres nas chapas e que depois virou lei no país. Pode até parecer exótico para uns, o PT criar e se submeter a regras internas que não valem para os outros, mas nós estamos dando o exemplo, estamos prenunciando um outro tipo de sistema, possível e melhor. Quantas mulheres, por exemplo, que estão na vida política, poderão cobrar de seus partidos que haja uma sincronia com a política que o PT começa a aplicar?

 

Há alguma chance de influência na proposta de reforma política em curso?

 

Talvez, no curto prazo, não. Vimos batalhando pelas eleições diretas durante alguns anos. Essas medidas inovadoras e transformadoras muitas vezes não têm efeito no curto prazo, pode demorar dez anos ou a materialização de uma dessas realidades pode encurtar os tempos.

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