Nota de conjuntura II

Dilma expressou sua crítica à liquidez promovida pelos países europeus para socorrer o seu sistema financeiro e as consequências negativas dessa medida sobre o câmbio dos países emergentes. A presidenta denominou essas medidas de “tsunami financeiro”

“Tsunami financeiro”
Durante sua visita à Alemanha, a presidenta brasileira expressou com muita contundência sua crítica à liquidez promovida pelos países europeus para socorrer seu sistema financeiro e as consequências negativas que essa medida vem provocando sobre o câmbio dos países emergentes, como o Brasil. Dilma chamou essas medidas de “tsunami financeiro”, ou “guerra cambial”, na expressão anterior do ministro Guido Mantega. As centenas de bilhões de dólares que o governo americano injetou no mercado no ano passado para desvalorizar sua moeda e fortalecer seu sistema financeiro foram agora acrescidas pela mesma medida do Banco Central Europeu e de países membros da União Europeia.

Esses recursos, em vez de se dirigirem à recuperação da economia desses países por meio do fortalecimento dos mercados internos, estão buscando os ganhos fáceis das taxas de juros nos países emergentes, entre eles o Brasil, valorizando a moeda local e prejudicando-lhes as exportações. É fundamental que nosso governo fortaleça as medidas para conter esta “enxurrada financeira”.

Aproveitando-se da crise, os empresários e governos neoliberais europeus buscam ainda liquidar com o Estado de Bem-Estar Social e os direitos trabalhistas no continente. O novo governo de direita na Espanha acabou de aprovar uma legislação que possibilita a redução de salários e facilita as demissões de trabalhadores no país que detém o maior índice de desemprego da região, superior a 20% na média e de 50% entre os jovens! Esse ataque contra os direitos dos trabalhadores é preocupante, pois forma um paradigma que, se aplicado na Europa, será defendido também em outras regiões.

Há, no entanto, reações. Começam a despontar afirmações óbvias como a que não é possível enfrentar a crise sem retomar o crescimento econômico, fator excluído das medidas de austeridade. O movimento social e os sindicatos em particular vêm reagindo e estão marcadas greves gerais na Espanha e em Portugal para o mês de março, após uma série de manifestações importantes.

Além dos efeitos nocivos do “tsunami financeiro” e da redução do crescimento dos países desenvolvidos sobre a América Latina, a crise coloca dificuldades políticas para os governos progressistas do continente, como demonstra o recente resultado das eleições municipais e parlamentares em El Salvador, onde a direita venceu. A realização do XVIII Encontro do Foro de São Paulo na Venezuela, em julho, será um momento importante para contribuirmos com o debate sobre medidas para enfrentar a crise em nosso continente.

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