• Edição 08
  • 01 outubro 1989
    • Maria Rita Kehl,
    • Paulo de Tarso Venceslau

Clara Charf - Duas histórias de luta, uma história de amor

Ela rompeu o cerco imposto por uma tradição machista e conservadora. Uma história que se confunde por muitos anos com a de seu companheiro Carlos Marighella, personagem mitológico das lutas de resistência do povo brasileiro

Ela rompeu o cerco imposto por uma tradição machista e conservadora. A jovem militante em Recife entusiasmada com o fim do Estado Novo, a aeromoça que encantou Marighella, a vida clandestina e as perseguições impostas pela ditadura militar, o exílio, a anistia e a militância petista são alguns pontos dessa trajetória de vida/luta.

Uma história que se confunde por muitos anos com a de seu companheiro Carlos Marighella, personagem mitológico das lutas de resistência do povo brasileiro, que carregava, ao lado da coragem provada nas masmorras e torturas da ditadura Vargas até seu assassinato pela ditadura militar há vinte anos, a sensibilidade do poeta, do artista, do revolucionário.

Clara impôs sua personalidade. Enfrentou preconceitos por ser de origem judia, por ser mulher independente quando o feminismo praticamente não existia, por ser revolucionária quando homens, com raríssimas exceções, tinham o monopólio dessa virtude.

Hoje, trabalhando na Prefeitura de São Paulo, apesar dos cabelos brancos, não consegue disfarçar a energia que irradia diante dos desafios e trabalhos que lhe ocupam mais de doze horas por dia. Foi preciso muita persistência para que Teoria e Debate conseguisse algumas horas de depoimento de Clara Charf.

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