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- Edição 102
- 16 julho 2012
A macroeconomia da desindustrialização no Brasil
No que diz respeito à escolha de estratégias, o país, diferentemente dos países asiáticos exportadores de produtos manufaturados, tem tamanho para crescer e desenvolver seu setor industrial baseado no dinamismo de seu mercado interno
Presidenta e ministros discutem com empresários de vários setores uma agenda comum
Foto: Wilson Dias/Abr
Conforme ressaltado por Rowthorn e Ramaswamy (1997), o debate sobre as causas da desindustrialização se dá basicamente entre os que veem esse declínio com preocupação e aqueles que acham que é um fenômeno natural, causado por fatores internos às economias avançadas.
Nessa linha, Rowthorn e Wells (1987) distinguem dois tipos de desindustrialização. De um lado, a desindustrialização “positiva” ocorreria como resultado natural de um crescimento econômico sustentado, em uma economia em pleno emprego e altamente desenvolvida. Esse processo viria como consequência do aumento rápido da produtividade na indústria, que, mesmo com a expansão do produto industrial, levaria à queda do emprego no setor (de modo absoluto e em participação). Seria um sintoma de sucesso econômico e não causaria desemprego, pois o setor de serviços absorve a mão de obra excedente, como ocorreu no caso japonês.
Por outro lado, alguns países seriam atingidos pela chamada desindustrialização “negativa”, considerada um fenômeno patológico. Esse processo ocorreria em economias em qualquer estágio de desenvolvimento caracterizadas por uma severa recessão, na qual renda real e produção industrial ficam estagnadas. Nesse caso, o emprego não é absorvido pelo setor de serviços e há aumento do desemprego, como estaria ocorrendo no Reino Unido no fim da década de 1980.
Por esse último critério, não é possível caracterizar a redução do peso da indústria no emprego e no PIB, ou mesmo a queda do produto industrial que vem sendo observada na economia brasileira nos últimos meses, como um caso patológico de desindustrialização negativa. Ao contrário, o setor de serviços vem contribuindo para levar nossa taxa de desemprego para mínimos históricos mesmo em um contexto de desaceleração da economia. Isso não quer dizer, no entanto, que não há motivo de maior preocupação com nosso desenvolvimento industrial no que tange ao potencial de crescimento econômico que gera para a economia. Nesse contexto, a observação do peso da indústria no PIB ou no emprego não é suficiente como foco de análise, e sim as mudanças que estão ocorrendo dentro do setor industrial.
Na visão estruturalista do desenvolvimento econômico, além de a indústria como um todo abrigar maior potencial de desenvolvimento tecnológico e, portanto, de crescimento da produtividade, a diversificação da estrutura industrial para diferentes ramos é benéfica para o processo de desenvolvimento por tornar o país menos dependente de importações mais sofisticadas e de maior elasticidade-renda do que as exportações realizadas – argumento de Prebisch (1981) e seguidores –, reduzindo, assim, a tendência ao desequilíbrio externo e ao baixo nível de crescimento econômico.