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- Edição 92
- 01 setembro 2011
Cultura além do consagrado
O Brasil mudou e mudou também a forma de ver e fomentar a cultura, incluindo aí tudo que se produz, desde o artesanato até os grupos tradicionais de forró, passando pela união de forças entres descendentes de quilombolas e pomeranos no Sul do país.
Em Janduis (RN), ponto de cultura “Em Cena Ação”, durante espetáculo
Foto: Divulgação
Para além das explicações mais românticas, os pontos são vistos como experiência para criar políticas de Estado, são resultado dos debates ocorridos na preparação da campanha presidencial de 2002, que culminou em momento importante da história do avanço das políticas culturais. A ação do MinC muda o foco, levando em consideração que em cada lugar remoto do país existe quem crie cultura de alguma forma e por isso o Estado deveria reconhecer e dar sustentabilidade ao que já exista, porém até aquele momento, desprovido de qualquer apoio.
Em 2003, Célio Turino levou sua experiência na Secretaria de Cultura do município de Campinas (SP) para a Secretaria de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura. Entusiasta e um dos responsáveis pelo início de tudo, Célio desenha uma equação para explicar os pontos: PC = (a + p”) = E. Traduzindo: ponto de cultura é o resultado da soma autonomia mais protagonismo elevado à potência, ou seja, é igual a empoderamento/emancipação. Muito mais do que só cultura.
Em 2004 havia R$ 5 milhões para os pontos de cultura. Esse valor passou a R$ 55 milhões em 2005, graças a uma emenda parlamentar inédita em termos de investimento na área. O primeiro edital conveniou 210 inscritos, passando a 400, em 2005; 700 em 2006; mais de 2 mil em 2007, e em 2011 são mais de 3 mil conveniados pelo Brasil afora, atuando em redes sociais, estéticas e políticas. Segundo os cálculos de Turino, são 8 milhões de pessoas envolvidas ao custo mensal de R$ 5 mil.
No Almanaque Cultura Viva, editado pelo MinC, com o balanço das ações do programa, na apresentação o então ministro Juca Ferreira escrever que “o governo compreendeu que a Cultura é uma ferramenta poderosa para a redução das desigualdades e para a universalização de conquistas de qualidade de vida, permitindo ao cidadão comum o desenvolvimento de suas capacidades, da inventividade e do senso crítico. Estratégica para a economia, tanto na participação do PIB nacional, quanto na inserção global do país no mercado internacional”.
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