Marxismo americano

Desde o início de sua publicação em 1949, a revista mensal Monthly Review tem se destacado na divulgação do pensamento marxista nos Estados Unidos da América. Tendo como editores Paul M. Sweezy, Leo Huberman (1903-1968) e integrado mais tarde por Harry Magdoff, o periódico publicou nos últimos 40 anos importantes artigos sobre problemas referentes ao socialismo e é co-responsável pela formação do pensamento radical americano no pós-guerra. Conjuntamente à revista, foi criada em 1950 a editora Monthly Review Press, responsável pela publicação de importantes livros. Diversos intelectuais de esquerda, vítimas do clima de caça às bruxas do período macartista, tiveram os seus livros publicados. Dentre esses livros, cabe destacar os já clássicos, Teoria do desenvolvimento econômico (1942), de Paul Sweezy; A era do imperialismo (1969), de Harry Magdoff; e Capital monopolista (1966), de Paul A. Baran e P. Sweezy.

O livro de R. Sweezy (42) discute a crise do capitalismo enquanto estagnação econômica de longo prazo. Apresenta ainda uma exposição original sobre o problema do valor, bem como indica novos dados para a pesquisa sobre o imperialismo. O livro de H. Magdoff (69) disseca o poder econômico dos EUA nos anos 60. E, finalmente, o livro de P. Baran e P. Sweezy (66) trata do capitalismo monopolista no pós-guerra, bem como do problema da lei do valor sob o capitalismo monopolista.

A revista Monthly Review destacou-se pela crítica ao capitalismo e pelo estudo das experiências socialistas existentes, especialmente na União Soviética, na China e no Terceiro Mundo. Ultimamente, vem dando grande ênfase sobre a transição socialista na Nicarágua.

Nos 40 anos de sua existência, a Monthly Review vem desafiando o ensino acadêmico nos EUA sob hegemonia das teorias neoclássicas. Foi uma travessia dolorosa para uma revista muitas vezes acossada por problemas financeiros, sendo comum solicitar ajuda aos próprios leitores para garantir sua sobrevivência.

Apesar dos 40 anos de lutas pelo socialismo e a sua afirmação, notam os seus editores que após esses anos todos não existe socialismo no futuro visível dos EUA e nem mesmo um movimento socialista coerente naquele país.

No entanto, as sementes estão lançadas e a revista prepara-se para os próximos 40 anos.

Sidney Raffi Kaloustian é economista formado pela Unicamp.

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