- Edição 96
- 12 janeiro 2012
O silêncio que virou escândalo
O livro de Amaury Ribeiro Jr. estava anunciado havia tempo. Desde que a velha mídia quis culpar o autor, numa espécie de habeas corpus preventivo encomendado por José Serra, de montar um dossiê contra o então candidato tucano à Presidência da República. No entanto, talvez A Privataria Tucana não fizesse tanto sucesso não fosse o extraordinário silêncio das principais famílias da chamada grande mídia. Dizia-me um amigo, jornalista dos bons, que caso saísse com aquele título e com todas as páginas em branco, o livro causaria estardalhaço de qualquer maneira pelo escândalo do silêncio.
Diríamos que a velha mídia desconhece os novos tempos. Parece não saber que deixou de falar solitariamente. Há outros atores no pedaço, que não podem mais ser ignorados, subestimados, como ela o faz. Há as exceções da grande mídia, como CartaCapital, como Terra Magazine, há os blogueiros progressistas e há as impressionantes redes sociais, que se comunicam horizontalmente, não esperam mais a palavra de ordem dos vetustos senhores midiáticos.
As redes sociais divulgam o que consideram apropriado, tornaram-se mais capazes de captar o que é notícia do que eles, os comunicadores de antanho, que se acreditam ainda senhores da capacidade de decidir o que é e o que não é acontecimento digno de ser noticiado. Houve choro e ranger de dentes quando as redes sociais elevaram sua voz, disseminaram-na, provocando colunistas, tevês, jornalões, revistas, todo o conservadorismo midiático, sobre o porquê daquele silêncio.
O silêncio tornou-se um escândalo. Afinal, em poucas horas o livro tornara-se um best-seller, não poderia ser ignorado. E não poderia, além de tudo, porque revela, de maneira muito clara, uma parte ponderável do escandaloso processo de privatização levado à frente pelo governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso que envolveu, de maneira absolutamente comprovada, o ex-governador de São Paulo e ex-candidato a presidente da República, José Serra. Tanto quanto sua filha, Verônica Serra, ao lado de vários outros atores importantes, sócios de Serra, mesmo que não formais. Há, aliás, um capítulo dedicado a isso: “Os sócios ocultos de Serra”, agora não mais ocultos.
