Quantificar o invisível: a homofobia, seus agentes e suas vítimas

O movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) se ressente de estatísticas sobre sua população. Daí a importância de uma pesquisa de alcance nacional como Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil – Intolerância e Respeito às Diferenças Sexuais, realizada pela Fundação Perseu Abramo, em parceria com a Fundação Rosa Luxemburg. O estudo agora avança com a publicação de artigos, organizados por Gustavo Venturi e Vilma Bokany, que analisam os resultados.

Qualquer tentativa de recenseamento estará lidando com uma enorme subjetividade. O medo da exposição e da discriminação é um fator intrínseco a dificultar contagens dessa comunidade dispersa e pouco unificada por interesses comuns.

Os levantamentos mais abrangentes, como esse, são feitos por amostragem, ou seja, colhem uma parte representativa do todo para inferir percentuais da totalidade com margem de erro. Outra limitação é que só conseguem reunir entrevistados LGBT formando uma rede de indicações, em vez de obter uma amostra probabilística a partir da totalidade da população pesquisada.

Romper o silêncio
A diversidade de abordagem dos artigos, e dos intelectuais envolvidos na análise dos resultados dos 2.014 questionários preenchidos, revela a dimensão e riqueza de uma pesquisa que mais parece uma qualitativa de larga escala. Há resultados reveladores sobre a condição das lésbicas, as diferenças de tratamento social para transexuais e travestis, o duplo preconceito contra LGBT negros e negras, o papel fundamental da escola na reprodução da homofobia e a importância da Aids para a estigmatização de LGBT.

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